Tolle, lege.

11 11UTC julho, 2007

Estou em São Paulo, terra estrangeira. Vou morar por aqui, pelo menos pelos próximos três anos. Mais um carioca entre os uivos bandeirantes.

Ontem, jantei no Mosteiro de São Bento, a convite do abade. Celebramos as vésperas de maneira especial, pelo dia do santo de Núrsia. Senti-me num filme medieval. Todos em silêncio obrigatório, e os noviços nos servindo. Enquanto nos deleitávamos com o jantar (pelo visto, o pecado da gula foi abolido do índex…), um monge fazia leituras inspiradoras. Falou de Agostinho.

Já é patrimônio da humanidade o relato da conversão de Agostinho. A profunda crise existencial por que passava. A procura por algo que ele mesmo não sabia o que era. O momento de angústia e desespero nos jardins de Alípio. E a voz de menino, entoando o canto infantil. Tolle, lege. Tolle, lege.

Toma e lê.

Estou em São Paulo, terra estrangeira. Estou nos jardins de Alípio. E, se quiser me encontrar, preciso revestir-me de algo que não sou. Revestir-me do Outro. Preciso tomar o livro da vida, e lê-lo. Preciso ouvir, ao longe, escondido entre os ruídos insanos, a velha cantiga de criança.

Tolle, lege. Tolle, lege.

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